E de acordo com o último relatório publicado em 2022 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, 2022), devido ao aumento da variação e intensidade das chuvas, ocorrerão mudanças no ciclo hidrológico que podem afetar a disponibilidade e distribuição temporal da vazão nos rios, o que impacta diretamente a fonte de energia elétrica predominante no país.
Por isso, antecipar as previsões do efeito das mudanças climáticas nas vazões dos rios é fundamental para a estabilidade energética do país.
Pensando nisso, os pesquisadores da Enacom desenvolveram um estudo que propõe uma metodologia para mensurar o impacto das mudanças climáticas em ativos hidrelétricos. Continue lendo e saiba mais sobre a pesquisa.
Entenda as etapas do estudo dos pesquisadores da Enacom sobre energia hidrelétrica e mudança climática
1. Modelagem detalhada do ativo
Em um primeiro momento são consideradas a curva colina das unidades geradoras, as faixas operativas, as restrições operacionais e ambientais, entre outras, para a geração de um Gêmeo Digital da hidrelétrica.
2. Validação do modelo
Nesta etapa ocorre a validação do modelo digital da hidrelétrica com a utilização dos dados reais das operações passadas.
3. Modelagem climática
A terceira etapa consiste em realizar a modelagem climática do ativo para gerar cenários futuros hidrológicos que incluam a utilização de modelos de chuva/vazão e a correção de viés utilizando os dados históricos medidos.
4. Geração de cenários
Em um quarto momento, durante a geração dos cenários com todas as variáveis inseridas, é contemplada a geração de cenários com preços futuros da energia para o intervalo futuro de interesse.
5. Otimizador de geração
Em sua última etapa, a solução utiliza um otimizador de geração de energia para maximizar o resultado financeiro do ativo nos cenários de preços considerados pela etapa anterior.
Durante a pesquisa, os especialistas da Enacom utilizaram 2 mil cenários de preço para mensurar a receita esperada e o risco associado, com a utilização da métrica CVaR (Conditional Value at Risk), e considerando uma usina com reservatório e outra a fio d’água.
O estudo ainda propôs métricas para mensurar a capacidade de cada ativo, medindo a relação da receita e o risco de cada usina em relação à potência instalada e a garantia física do empreendimento, de forma que a usina com reservatório apresentou melhor resultado.
O artigo sobre a metodologia desenvolvida pelo time de pesquisadores da Enacom foi submetido ao 30º Simpósio de Engenharia de Produção – SIMPEP, que ocorre em novembro de 2023. O estudo completo poderá ser conferido no site do evento após a sua realização.
Veja na prática: CEMIG: até 46,6 hm³ de água por mês a menos na programação da UHE Três Marias, em estudo.
